Crise no varejo acende alerta no Brasil com fechamento de lojas e pressão sobre empresários

Juros elevados, crédito caro, custos operacionais e mudanças tributárias aumentam dificuldades do comércio; Casas Bahia fecha quase 300 unidades em meio a reestruturação O varejo brasileiro atravessa um período de forte pressão financeira, marcado pelo fechamento de lojas, demissões e aumento do número de empresas em dificuldades. O cenário vem atingindo desde pequenos comerciantes até […]

Juros elevados, crédito caro, custos operacionais e mudanças tributárias aumentam dificuldades do comércio; Casas Bahia fecha quase 300 unidades em meio a reestruturação

O varejo brasileiro atravessa um período de forte pressão financeira, marcado pelo fechamento de lojas, demissões e aumento do número de empresas em dificuldades. O cenário vem atingindo desde pequenos comerciantes até algumas das maiores redes do país.

Um dos casos mais recentes é o do Grupo Casas Bahia, que iniciou uma ampla reestruturação e anunciou o fechamento de 298 lojas. A companhia também entrou com pedido de recuperação judicial envolvendo uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões.

O problema, porém, não está restrito às grandes empresas. Dados divulgados sobre o setor mostram que, entre junho de 2025 e junho de 2026, o número de varejistas em recuperação judicial cresceu 20,4% no Brasil.

Especialistas apontam que muitos pequenos e médios empresários sequer chegam à recuperação judicial. Sem patrimônio suficiente ou estrutura financeira para sustentar um processo de reorganização, parte deles acaba optando diretamente pelo encerramento das atividades.

Juros e crédito pressionam empresas

Entre os principais fatores que ajudam a explicar a crise está o custo elevado do crédito.

Com juros altos, empresas pagam mais para financiar estoques, renegociar dívidas e manter capital de giro. Ao mesmo tempo, consumidores também encontram crédito mais caro, o que reduz principalmente as compras de produtos de maior valor.

No caso da Casas Bahia, a própria companhia apontou o elevado custo do crédito e a pressão sobre a capacidade financeira dos consumidores como componentes do ambiente adverso enfrentado pelo varejo.

A concorrência dos grandes marketplaces digitais também aumentou a pressão. Empresas que operam principalmente pela internet conseguem, em determinados segmentos, manter estruturas físicas menores, enquanto lojas tradicionais precisam arcar com aluguel, funcionários, energia, estoque e outros custos permanentes.

Empresários também demonstram preocupação com impostos

A carga tributária e as mudanças provocadas pela reforma tributária também entraram no debate.

Empresários do varejo demonstram preocupação com os efeitos que a nova estrutura de impostos poderá produzir sobre custos, preços e funcionamento das empresas durante o período de transição.

O governo federal está adaptando o Simples Nacional para incorporar a CBS e o IBS, dois dos principais tributos criados pela Reforma Tributária do Consumo. Parte das novas regras começará a produzir efeitos em 2027.

Representantes empresariais afirmam que qualquer aumento efetivo de custos pode atingir principalmente negócios menores, que possuem margens mais apertadas e menor capacidade de absorver novas despesas.

O CEO da rede Rei do Mate, Antônio Carlos Nasraui, por exemplo, declarou recentemente preocupação com os possíveis impactos da reforma tributária sobre o varejo e sobre pequenas empresas.

Fechamento de lojas gera preocupação com empregos

Além dos empresários, a crise tem reflexos diretos sobre o mercado de trabalho.

Somente a atual reestruturação da Casas Bahia envolve milhares de funcionários. Desde 2023, o grupo reduziu significativamente sua estrutura, enquanto o número de lojas também caiu.

O cenário da companhia se tornou um dos principais símbolos das dificuldades enfrentadas pelo varejo brasileiro, mas especialistas destacam que a situação do setor resulta de uma combinação de fatores econômicos e estruturais.

Para os próximos meses, o desempenho dos juros, do consumo das famílias, do acesso ao crédito e a adaptação das empresas às novas regras tributárias deverão ser determinantes para avaliar se o comércio conseguirá iniciar uma recuperação ou continuará enfrentando uma onda de fechamento de estabelecimentos.