Expogrande inova e cria salas sensoriais para acolher pessoas neurodivergentes

Espaços com suporte terapêutico prometem tornar a feira mais inclusiva e acessível a famílias que antes evitavam grandes eventos

A Expogrande dará um passo importante em direção à inclusão na sua 86ª edição. Pela primeira vez, o evento contará com salas de acolhimento sensorial voltadas a pessoas neurodivergentes, oferecendo suporte especializado para lidar com estímulos intensos como som alto e iluminação forte.

A iniciativa é liderada pela Associação Juliano Varela, que será responsável pela estrutura e atendimento nos espaços. Serão duas salas: uma localizada em área mais tranquila do parque e outra próxima à região dos shows, permitindo que famílias permaneçam no evento mesmo diante de situações de crise.

De acordo com o diretor da associação, José Varela, a ideia surgiu após uma experiência positiva em outro evento no ano passado. Segundo ele, a adesão superou expectativas e revelou uma demanda reprimida por ambientes mais inclusivos.

“Eu achei que não teria tanta adesão, mas se tornou algo necessário. Muitas famílias não costumam frequentar eventos grandes justamente por falta de estrutura”, afirmou.

Estrutura pensada para acolher

As salas sensoriais foram projetadas para funcionar como refúgios em meio ao ambiente agitado da feira. Os espaços serão climatizados, com iluminação controlada e recursos que auxiliam na regulação emocional, como objetos sensoriais e atividades calmantes.

Além disso, uma terapeuta estará disponível durante todos os dias do evento para prestar suporte especializado, garantindo atendimento adequado a quem precisar.

A proposta vai além do público infantil: o atendimento será destinado a qualquer pessoa que necessite de suporte diante de sobrecarga sensorial, incluindo adultos com deficiência ou condições neurodivergentes.

Inclusão e acesso ao lazer

A iniciativa também busca combater a exclusão social enfrentada por muitas famílias, que frequentemente deixam de participar de eventos culturais e de lazer por falta de estrutura adequada.

Segundo José Varela, o objetivo é garantir que essas pessoas possam viver experiências antes inacessíveis. “A ideia é que a família não precise ir embora frustrada. Ela pode sair um pouco, se regular e depois voltar. É algo que muitos nunca tiveram”, destacou.

Com a novidade, a Expogrande se posiciona como referência em inclusão no setor de eventos e pode inspirar outras iniciativas pelo país, ampliando o acesso e tornando espaços de lazer mais acolhedores para todos.