Guerras deixam marcas profundas nas economias e derrubam produção por anos, aponta FMI

Relatório indica queda média de 7% na atividade econômica e impactos que podem durar mais de uma década

As guerras continuam impondo impactos severos e duradouros às economias globais, com efeitos que vão muito além dos campos de batalha. Segundo estudo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional, países envolvidos em conflitos registram, em média, uma queda de cerca de 7% na produção ao longo de cinco anos, além de enfrentar cicatrizes econômicas que podem persistir por mais de uma década.

O levantamento, que integra capítulos do relatório Perspectiva Econômica Mundial, analisou dados desde o fim da Segunda Guerra Mundial e avaliou o impacto de conflitos recentes e do aumento nos gastos militares em 164 países.

Conflitos em alta no mundo

De acordo com o FMI, 2024 registrou um dos níveis mais elevados de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial. Mais de 35 países enfrentaram guerras em seus territórios, afetando diretamente cerca de 45% da população mundial.

Além das perdas humanas, o impacto econômico é expressivo. O FMI destaca que os prejuízos causados por guerras superam, em muitos casos, aqueles provocados por crises financeiras ou desastres naturais.

“Guerras impõem custos econômicos grandes e duradouros e representam difíceis escolhas macroeconômicas”, afirmou a instituição em relatório.

Efeitos que ultrapassam fronteiras

Mesmo países que não enfrentam combates diretos sofrem consequências. Nações vizinhas e parceiros comerciais tendem a sentir os efeitos por meio de interrupções no comércio, aumento de preços e instabilidade financeira.

Entre os principais impactos apontados estão:

  • desvalorização prolongada da moeda;
  • perda de reservas internacionais;
  • aumento da inflação;
  • maior pressão sobre contas externas.

Crescimento global ameaçado

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, já indicou que a instituição deve revisar para baixo as projeções de crescimento global e elevar as estimativas de inflação, refletindo os efeitos recentes de conflitos internacionais.

Na mesma linha, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, afirmou que guerras tendem a desacelerar a economia mundial e pressionar os preços, independentemente de sua duração.

Desafios de longo prazo

O estudo reforça que os impactos econômicos dos conflitos não desaparecem com o fim das hostilidades. Pelo contrário, os efeitos costumam persistir por anos, dificultando a recuperação e impondo desafios estruturais aos países afetados.

Diante desse cenário, o FMI alerta que a escalada de conflitos no mundo representa não apenas uma crise humanitária, mas também um risco crescente para a estabilidade econômica global.